Air France 447 = Austral 2553 ?

Resultado de imagem para air france 447Antes da Mecânica dos Fluidos ser computacional, ela já era real. Graças a ela, sendo real, podemos atravessar o Atlântico em poucas horas, a altíssimas velocidades, pelo ar. Afinal, a aerodinâmica é fascinante. Que bom que eu nasci em um período em que muitas coisas já são conhecidas! E eu posso estudá-las! Pena, porém, que são poucas as coisas que podemos prever e medir sem erros.

Na matéria de 06/06/2009 do Blog da Metsul, foi feita uma análise da relação entre as possíveis causas do acidente do Air France 447 com as do Austral 2553, no Uruguai, em 1997. O motivo seria a obstrução, por cristais de gelo, dos orifícios dos tubos de Pitot, dispositivos responsáveis por medir a velocidade de voo.

Qualquer uma das entradas do tubo de Pitot que seja obstruída vai gerar uma diferença de pressão menor entre a estática (orifícios do dispositivo perpendiculares ao vento) e a de estagnação (orifício paralelo ao vento), provocando uma leitura de velocidade menor que a real. Para evitar a obstrução por cristais de gelo, os tubos de Pitot devem ser aquecidos, e funcionam bem se secos. A dúvida que está sendo levantada é se as condições no topo de nuvens de tempestade poderiam tornar o aquecimento dos tubos de Pitot ineficiente, favorecendo a obstrução.

Como disse o piloto de Boeing 747 Jean-Pierre Albran, ao jornal Le Parisien, numa reportagem no MSN: “Este [Airbus A330] é um avião que foi concebido por engenheiros, para engenheiros, e nem sempre para pilotos. […] Você olha nos indicadores. Não sente nada”.

Assim, digamos que os tubos de Pitot foram obstruídos, indicando uma velocidade menor que a real, o que fez com que o piloto automático começasse a acelerar a aeronave. Os pilotos, confiando naqueles instrumentos de altíssima tecnologia, nada fizeram. Sem que os instrumentos indicassem, a aeronave poderia ter entrando em voo supersônico, condição para a qual a aeronave não foi projetada. Somando a uma possível elevada turbulência, uma parte fundamental do avião pode ter sido simplesmente “arrancada”.

Tudo hipótese. Tenho fé que a caixa-preta será encontrada. Ela fica sempre na cauda da aeronave. Seria “só” procurar a cauda no fundo do mar… Ela poderá esclarecer muita coisa.

[Atualização: o relatório final da investigação, de 2014, indica que a causa do acidente foi “uma reação inadequada da tripulação após a perda momentânea das indicações de velocidade”. A obstrução das sondas Pitot, nas condições adversas de voo sobre a tempestade, é a hipótese aceita. Não há consenso, porém, conforme apresentado no Primeiro Seminário de Segurança Aérea, quanto às razões que levaram o AF447 ser o único voo que não desviou da tempestade, entre outros voos percorrendo aquela região no mesmo momento.]

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